Carta de Apresentação enviada a:
Institucional
António José Seguro, Presidente da República · José Pedro Aguiar-Branco, Presidente da Assembleia da República
Fundações
António M. Feijó, Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian · Fátima Barros, Presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos
Académicos
Helena Carreiras, Reitora do Iscte · Ricardo Paes Mamede, Iscte/Dinâmia'CET · Alexandre Quintanilha, Universidade do Porto · Luísa Loura, Pordata · José Gaspar, ForestWISE · Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas · CRUP
CCDRs
Álvaro Santos, CCDR Norte · Ribau Esteves, CCDR Centro (urgência das tempestades) · Teresa Mourão Almeida, CCDR Lisboa e Vale do Tejo · Ricardo Pinheiro, CCDR Alentejo · José Apolinário, CCDR Algarve
Carta especial
Miguel Sousa Tavares, escritor e jornalista
Noémia Gonçalves Arrepia Gavina, cidadã portuguesa, escrevo em nome próprio para dar a conhecer o Portugal Comum — Projeto em Construção, um processo cívico independente, apartidário e sem financiamento público, nem de outra natureza, que nasce em maio de 2026 com um propósito exigente: contribuir para que Portugal consiga responder, em tempo útil, com seriedade e continuidade, a três urgências que não admitem espera.
"E recomeço a busca / De um país liberto / De uma vida limpa / E de um tempo justo."
Sophia de Mello Breyner Andresen, "Esta Gente", in Geografia, 1967
É esta busca de Sophia que orienta o mote do projeto: «Este é o país que existe. E o país que falta.»
Três eixos de urgência para ação imediata
Clima
O comboio de tempestades Kristin, Leonardo e Marta (janeiro–março de 2026) deixou 19 mortos, prejuízos entre 5 e 6 mil milhões de euros e um território progressivamente fragilizado. As indústrias florestal, agrícola, pecuária e das pescas sofreram danos sem precedentes. Portugal tem uma Lei de Bases do Clima e outros instrumentos como o Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC 2030), mas falham sistematicamente na execução prática, no financiamento e no cumprimento estrito da calendarização das metas, resultando numa resposta lenta e insuficiente para os desafios reais do país.
Habitação
Em 2025, os preços subiram 17,6% — o maior aumento desde que há registos (INE). Em Lisboa, comprar casa exige 102% do rendimento mediano familiar (Banco de Portugal, março de 2026). O direito à habitação está consagrado no artigo 65.º da Constituição desde 1976. Cinquenta anos de incumprimento estrutural.
Saúde
1,7 milhões de portugueses não têm médico de família. 45% dos médicos de família inscritos na Ordem têm mais de 65 anos — o que representa um colapso iminente da capacidade instalada. Quase 1.000 médicos por ano pedem certidão para exercer fora de Portugal, em crescimento consecutivo desde 2022. O bastonário da Ordem dos Médicos classifica o impacto como "brutal para o SNS e para os utentes".
Três horizontes de ação
120 dias
Produzir e finalizar propostas de contenção imediata para os três eixos — clima, habitação e saúde — com base no quadro legal existente, executando em plenitude e com urgência os recursos já existentes, sem necessidade de nova legislação, mas com instrumentos de monitorização da execução, públicos, transparentes e atualizados. Não será a solução definitiva, mas o torniquete que estanque a sangria.
18 meses
Mapeamento rigoroso das capacidades nacionais — o que Portugal sabe fazer, onde tem provas dadas, que combinações de conhecimento e investigação, aplicadas a que domínios, têm potencial transformador real. Uma metodologia inspirada na especialização inteligente — baseada em evidência, não em intuição política, e validada internacionalmente.
3 anos
Criação de um Fórum deliberativo alargado — com cidadãos, especialistas, diáspora e instituições públicas locais — que produza uma estratégia nacional com legitimidade suficiente para que qualquer governo seja obrigado a atender, porque é urgente, porque é pertinente, e porque nasceu da vontade comum.
O convite
Esta não é uma carta a pedir financiamento. Não é uma proposta política. É um convite a fazer parte — a trazer o seu nome, o seu saber e a sua área de influência para um processo que começa agora e que precisa de legitimidade institucional, científica e cívica para ter impacto real.
Portugal tem as pessoas, tem o conhecimento, tem os recursos. O que falta é um processo comum que os una com um propósito claro. O Portugal Comum quer ser esse processo — e quer construí-lo com quem, como V. Ex.ª, já demonstrou que a seriedade e o rigor podem coexistir com a ação. Junte-se a nós. Ajude a concretizar o Fórum Portugal Comum. Traga já a sua rede, a sua instituição, o seu círculo de influência para esta ideia — porque é imperativo agora, porque não há tempo a perder.
Publicámos em portugalcomum.pt uma Declaração de Urgência com os dados verificados sobre os três eixos urgentes. Ao assinar, V. Ex.ª não está apenas a registar uma posição — está já a integrar a equipa que inicia este trabalho, a dar o primeiro passo concreto para que o Fórum Portugal Comum se torne realidade.
Estou inteiramente disponível para uma apresentação mais detalhada do projeto — presencial ou por via remota, a seu tempo e conveniência.
Aguardo com grande expetativa que aceite estar a bordo deste projeto.
Noémia Gonçalves Arrepia Gavina
Fundadora, Portugal Comum — Projeto em Construção
Lisboa, 06 de maio de 2026
portugalcomum.pt · portugalcomum@proton.me · @portugalcomum